Cena aberta
Foi do meio da platéia vazia
que você, no escuro, deu seu grito.
Nem uma palavra, só um som aflito
foi que ouvi do fundo da coxia.
A peça acabara; já a dor da hora,
sofrida com a dor do meu personagem,
fora sendo diluída na passagem
desde o palco até o ar frio lá fora.
Do grito, vi que este amor rejeitado
durante a doída encenação da trama -
num repente ainda maior de drama -
agora era querido e demandado.
Há uma hora ainda, em cena viva,
sua paixão seria decisiva.