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UMA PÁGINA PESSOAL

 

. Uma vida de músico
. Ler e escrever
.
Cacilda Borges Barbosa




LER E ESCREVER: POESIA


SOBRE POESIA

 

Seis instantes do trajeto

O fato, o fardo, o lagarto;
o sol no corpo; a estrada.
Todo o Universo como causa,
e a fazenda que não chega.

Peregrino sem orago, indo
para além do próximo cupim,
e deste, para outro. E deste
numa sucessão irrelevante.

Só a transcendência e as cigarras.

.......

O saibro acomoda o pé
a curva revela.
E vai a estrada entre cigarras
num enlace cuidadoso da montanha.

...........

A fonte d'água, entre rochas,
numa clareza de noite quieta.
Apalpa o limo: morno.
Pelo de bicho úmido.

Ali são horas; a noite marulha.

...........

O caminho, de pedras roliças,
passo a passo, vai ao rio.
Depois, vai de si: só caminho.

...........

O caminho cessa, sem retorno,
No mais escuro da estrada.
Você tateia; o nada é úmido,
daquele molhado de lâmina
do olho de quem te desconfia.
É o repente, é o instante,
E você está hiantemente só.

...........

O caso da nova estrada

Não é a encruzilhada
hiante
anteposta aos passos.

É o caminho, feito,
cavado,
arrebentado no chão.

Não é o traço que une
o aqui e o ali
e que tem rumo e destino.

É o movimento
adiante;
é a expedição de caça

que tem motivos e não razões.

 
 

 

 
 

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